Uma foto

Ou melhor, três.
Em plena era do Instagram é apenas isso que se tem de um dos maiores artistas da música ocidental, Robert Johnson.
Robert Johnson, um jovem negro norte-americano que viveu nos anos 20 na região estadunidense chamada Delta do Mississipi (“o lugar mais sulista da face da Terra”). Ali, onde negros descendentes de escravos com ele viviam no meio de grandes plantações de algodão e o trabalho era duro, e a paga, muito pouca.
Mas Robert nunca quis saber de lavoura. Seu talento no violão logo se manifestou e na estrada ele se lançou, pra fazer história.
Um americano descobridor de talentos chamado Don Law o descobriu e propôs um registro de suas canções num estúdio improvisado. Com o equipamento que a tecnologia da época permitia, Robert gravou todo o material que chegou até nós cantando e tocando na frente de um microfone, sentado provavelmente numa cadeira de um quarto de hotel.
Claro que há muito mais detalhes nesta história. Como sua misteriosa morte por whisky envenenado, aos 27 anos. Sobre seu suposto “pacto com o diabo”, que lhe renderia habilidade no violão e, claro, muita fama (esta história inclusive bastante semelhante a uma passagem do nosso Grande Sertão Veredas).
Mas pra esse texto ficamos com as imagens. Pois recentemente (relativamente falando, em 2020), uma nova foto de Robert Johnson foi encontrada - o que motivou estas linhas.
Até então, haviam duas fotos conhecidas suas - as duas primeiras à esquerda no alto do post. Nelas ficou eternizada a imagem do bluesman andarilho, charmoso e boêmio - com o malicioso cigarro no canto da boca.
Mas na terceira o que vemos é um garoto, de aura quase inocente, com o sorriso aberto e seu inseparável violão - que ele parece querer mostrar com orgulho na foto.
Essa foto, de tão cândida, chega a contrastar com a música de Johnson, cujos maiores temas eram as dores de amor, a morte e o desespero. Os temas do Blues por excelência.
Nós, que crescemos e vivemos num mundo de imagens, onde a facilidade em produzi-las e consumi-las é cada vez maior, corremos sempre o risco de perder o poder de encontrar magia nelas.
Aqui, portanto, eu proponho simplemente a contemplação dessas imagens, especialmente a última a direita. Se possível com a música de Robert Johnson ao fundo.